SegurançaSegurança e infraestrutura
Última atualização: 10 de agosto de 2026 · descreve o funcionamento real do serviço
Quem sobe para uma ferramenta um documento protegido por sigilo profissional tem direito a respostas concretas, não a adjetivos. Esta página responde, uma a uma, às perguntas que um advogado criterioso faz antes de confiar o processo de um cliente a um software — inclusive as que não nos favorecem.
Ela é complementar à Política de Privacidade, que é o documento com efeito contratual. Onde as duas falarem do mesmo assunto, vale a Política.
1.Onde os documentos ficam — e em que país
Direto ao ponto, porque é a pergunta que mais se esquiva de resposta: os documentos não ficam no Brasil. São armazenados e processados nos Estados Unidos. Onde exatamente:
- Arquivos e PDFs — Cloudflare R2, região ENAM (leste da América do Norte). É onde vivem os arquivos como você os enviou (janela curta) e os PDFs canônicos do pacote.
- Banco de dados — Supabase (PostgreSQL sobre AWS), região
us-east-2 (Ohio, EUA). Guarda cadastro, cobrança, metadados do caso e o texto extraído. - Processamento — Railway, Estados Unidos, deliberadamente colado ao banco: o preparo de um caso conversa muito com o banco, e afastar os dois somaria centenas de milissegundos por consulta. Medimos a alternativa; ela deixava o produto mais lento, não mais rápido.
- Site e aplicação — Vercel (CDN global). A Vercel serve a interface e nunca recebe seus documentos: o envio vai do seu navegador direto para o armazenamento.
Como os dados saem do país, isto é uma transferência internacional nos termos da LGPD (Lei 13.709/2018), apoiada no art. 33, inciso X — transferência necessária à execução do contrato que você celebra conosco. Está dito também na Política de Privacidade, e é uma informação que você deve considerar como controlador dos dados dos seus clientes.
2.Criptografia e defesas da plataforma
- Em trânsito: sempre. HTTPS/TLS em todas as pernas — seu navegador até nós, nós até o armazenamento, nós até o banco e nós até o provedor de IA. O site declara
Strict-Transport-Security, então o navegador se recusa a falar com o ORDIR sem criptografia. - Em repouso: sim, pelos provedores. Tanto o Cloudflare R2 quanto o PostgreSQL gerenciado cifram os dados em disco por padrão, conforme a documentação deles. Sendo exato: essa é uma garantia do provedor, não uma camada de criptografia própria do ORDIR — nós não ciframos o documento com chave nossa antes de gravar.
- Segredos (chaves de API, credenciais) vivem em variáveis de ambiente da plataforma, nunca no código.
Além da criptografia, a plataforma carrega defesas que vale nomear porque cada uma fecha um ataque conhecido:
- Política de conteúdo restritiva (CSP). O navegador só executa script servido por nós. Injeção de script de terceiro não roda, mesmo que consiga entrar na página.
- O ORDIR não pode ser embutido em outro site (
X-Frame-Options: DENY) — fecha a porta de clickjacking, em que uma página maliciosa sobrepõe a sua e colhe cliques seus. - Câmera, microfone e localização desligados por política, e o navegador obrigado a falar com o ORDIR só por HTTPS.
- Só uma lista curta de autoridades pode emitir certificado para o
ordir.com.br (registro CAA no DNS). Sem isso, qualquer uma das dezenas de autoridades certificadoras do mundo poderia emitir um certificado válido em nosso nome — e um atacante com esse certificado se passaria pelo ORDIR sem o seu navegador reclamar. - As respostas de DNS do ORDIR são assinadas (DNSSEC). Isso impede o envenenamento de DNS, o ataque em que alguém responde no lugar do servidor legítimo e leva você a um site falso enquanto o endereço na barra continua o certo.
- Conexão com o banco de dados exige TLS — não há caminho em texto claro entre o processamento e os dados.
- Limite de requisições por IP nas rotas de envio e nas rotas públicas, contra abuso e automação.
- O webhook de pagamento é verificado na origem: antes de liberar qualquer conta, o ORDIR reconsulta o status direto na API do gateway. Uma notificação forjada não ativa assinatura.
- Documento recebido é tratado como hostil. HTML e e-mail passam por sanitização que remove script e bloqueia qualquer busca externa — um arquivo não consegue fazer o nosso servidor visitar um endereço escolhido por quem o enviou.
- ZIP genérico é recusado. Só entra o export nativo do WhatsApp. Não descompactar arquivo arbitrário é decisão deliberada, com teste automatizado que impede alguém de afrouxá-la sem perceber.
- O envio vai do seu navegador direto para o armazenamento, sem passar por serviço de terceiro no caminho.
3.Quem consegue acessar seus documentos
- Você. Os casos são isolados por conta; a separação entre clientes é aplicada na camada da aplicação, e o banco tem row level security habilitada como camada adicional.
- Ninguém da operação. Não existe equipe de suporte, terceirizado ou prestador com acesso aos seus documentos. Nenhum atendente abre um caso para "dar uma olhada": o suporte se resolve por metadados — status, etapa, mensagem de erro —, não por leitura de peça.
- Acesso administrativo: restrito à direção, e fora da rotina. Seria mais confortável escrever "ninguém tem acesso", e é o que se lê por aí. Não é verdade em nenhum sistema que alguém opera — quem mantém a plataforma tem, por definição, capacidade administrativa sobre ela, e um fornecedor que afirme o contrário está simplificando. O que se pode afirmar com precisão é o tamanho e a forma desse acesso: ele é restrito à direção da empresa, sob dever de confidencialidade, não é exercido na operação do dia a dia e se justifica apenas em investigação de falha — tipicamente uma que você mesmo reporte.
- Autenticação. Você entra com e-mail e senha ou com sua conta Google. Senha nova exige no mínimo 10 caracteres, com minúscula, maiúscula e número — não exigimos símbolo de propósito: comprimento protege mais que regra de composição pesada, e é no comprimento que somos exigentes. E toda troca de senha dispara um aviso por e-mail ao titular da conta — se alguém trocar a sua, você fica sabendo. Hoje não oferecemos segundo fator (2FA) nativo — enquanto isso não existe, entrar com o Google é a opção mais segura, porque a sua conta passa a herdar o segundo fator que você já tem lá.
4.Quais inteligências artificiais recebem os documentos
- As chamadas passam pelo OpenRouter, roteadas para modelos da família Gemini (Google), sempre em rotas sob Zero Data Retention: o provedor processa e não retém o conteúdo, nem o usa para treinar modelos.
- O ZDR não é uma configuração feita uma vez e esquecida — é imposto pela aplicação em cada requisição. Rotas mais baratas que não oferecem ZDR ficam de fora, e isso é intencional.
- O que a IA vê é derivado, nunca o original. Ela recebe o texto extraído e, quando o texto não basta, uma imagem gerada para leitura. O PDF canônico — o documento que compõe o seu pacote — nunca é enviado para o modelo.
- A IA não protocola nada. Ela sugere classificação e ordem; a revisão e a decisão de exportar são suas.
5.Por quanto tempo guardamos
A retenção tem duas camadas, e a divisão é deliberada: o material mais sensível tem a janela mais curta. Os arquivos como você os enviou e as imagens de pré-visualização são apagados em até 7 dias, para todo mundo, com ou sem assinatura. O pacote derivado (PDFs canônicos e texto) fica enquanto a assinatura estiver ativa, para você reabrir e reexportar o caso. Você pode excluir um caso na hora, pela ação de excluir no acervo.
Existe backup, e ele tem prazo. O banco de dados é copiado diariamente, cifrado com AES-256 e guardado em armazenamento dedicado — separado do que serve a aplicação —, com retenção de até 30 dias. Serve para uma coisa só: restaurar o serviço se algo der errado.
E há uma consequência que preferimos dizer a esconder: uma cópia de segurança é um arquivo cifrado único, que não dá para editar por dentro. Quando você exclui um caso, ele sai na hora dos sistemas em operação — mas pode sobreviver até 30 dias dentro de um backup, que então expira sozinho. Se uma restauração acontecer, as exclusões pendentes são reaplicadas antes de o serviço voltar ao ar: restaurar não desfaz um direito que você já exerceu.
A regra completa, com os prazos de cada tipo de dado, está na seção 5 da Política de Privacidade.
6.Registros de operação e diagnóstico
Para operar o serviço registramos o que aconteceu — mas o registro guarda a forma da operação, não o conteúdo dela. Um registro típico de chamada de IA diz "modelo X, 2 mensagens, 8 mil caracteres, respondeu erro 429 em 12 segundos". Não diz o que estava escrito no documento.
- O painel de erros que usamos para monitorar a plataforma recebe metadados técnicos e mensagens de erro — não recebe texto de documento, e há teste automatizado que quebra a build se algum caminho novo tentar enviá-lo.
- Para diagnóstico de qualidade, o pacote completo enviado à IA é gravado no nosso próprio banco — o mesmo Supabase da seção 1, sob a nossa purga automática —, e não em ferramenta de terceiro.
- Alerta, não descoberta por acaso. O painel de erros tem regras de alerta ativas que avisam a operação no momento em que algo novo quebra — e a cadeia inteira, do erro ao aviso chegando a um humano, foi testada de ponta a ponta. A disponibilidade do site e da API é vigiada por checagem externa a cada 5 minutos, e o backup diário confirma cada execução em um monitor próprio: se deixar de rodar, isso também vira alerta — não silêncio.
7.O que ainda não temos
Esta é a seção que costuma faltar nas páginas de segurança, e é a que dá sentido às outras — uma página que só lista virtudes não é auditável. O ORDIR é um produto novo, operado por uma equipe pequena. Cada lacuna abaixo vem com o que existe no lugar dela.
- Não temos certificação ISO 27001 nem SOC 2. Nenhum auditor independente examinou nossos controles. No lugar: esta página descreve a arquitetura em detalhe verificável, e respondemos por escrito a questionário de segurança de escritório que precise avaliar por conta própria. Já respondemos, item a item, as 261 perguntas do CAIQ v4.0.3 — o questionário da Cloud Security Alliance que departamentos de compliance usam para avaliar fornecedor de nuvem —, inclusive as perguntas em que a resposta é "não". Autoavaliação não é auditoria, e não vamos chamar de auditoria; mas é um mapa conferível, e está à disposição de quem pedir.
- O que dá para conferir agora, por você: a configuração de cabeçalhos HTTP do
ordir.com.br tem nota A+ no Mozilla Observatory e no securityheaders.com. Sendo exato sobre o que isso significa: é uma nota sobre como o navegador é instruído a tratar o site — não avalia autenticação, tratamento de dado nem o servidor. É verificável em dois cliques, e é por isso que está aqui. - Não temos teste de intrusão (pentest) por terceiro. No lugar: endurecimento próprio e revisão de segurança a cada mudança relevante — as defesas da seção 2 são o resultado disso. Não é equivalente a um pentest, e não vamos fingir que é.
- Não temos segundo fator de autenticação nativo. No lugar: login com Google, que traz o segundo fator da sua conta Google junto — hoje é a forma mais segura de entrar, e recomendamos usá-la.
- Não temos SLA contratual de disponibilidade. O serviço é prestado em regime de melhor esforço. No lugar: a honestidade que está nos Termos — não conte com o ORDIR como último recurso na véspera de um prazo. É a recomendação que protege você, não a que nos favorece.
Se o seu escritório exige fornecedor com auditoria independente por uma regra de compliance, hoje o ORDIR não atende esse requisito — e é melhor você saber por esta página do que descobrir depois.
8.Incidentes de segurança
Se houver incidente de segurança envolvendo o conteúdo dos seus casos, comunicamos você em prazo razoável, com o que aconteceu e o que foi afetado. Como você é o controlador dos dados dos seus clientes, cabe a você avaliar a comunicação à ANPD e aos titulares — e nós fornecemos as informações necessárias para essa avaliação.
9.Se uma autoridade pedir o seu caso
É a pergunta que quase nenhum fornecedor responde antes de ser perguntado, e ela merece resposta escrita. Se chegar ofício, requisição ou ordem judicial pedindo material de um caso seu, três coisas valem.
- Conteúdo de documento não sai por ofício administrativo simples. Exigimos ordem judicial específica e fundamentada — os arquivos aqui são instrumento de trabalho de advogado, protegidos pelo art. 7º, II, do Estatuto da Advocacia. Confirmar que alguém é cliente já é entregar dado, então nem isso fazemos no primeiro contato.
- Avisamos você, salvo quando a lei expressamente proibir, e a tempo de você se manifestar. A decisão sobre esse material é sua antes de ser nossa. Havendo vedação legal ao aviso, registramos qual é e por quanto tempo dura — e comunicamos assim que ela cessar.
- Quando entendermos que a requisição é ilegal, genérica ou desproporcional, podemos impugná-la judicialmente, inclusive em caráter liminar. É uma faculdade que exercemos conforme o caso — não um compromisso de litigar sempre.
Os dois primeiros itens são compromisso contratual, e estão na cláusula 6 dos Termos de Uso. O terceiro é prática declarada, não obrigação — e é honesto dizer a diferença.
Vale saber também o que não conseguimos entregar, mesmo querendo: os arquivos como você os enviou vivem 7 dias; passado o prazo, foram apagados e não há cópia. E não temos chave de nada que você tenha cifrado por conta própria.
10.Subprocessadores
Todos os terceiros que tocam dados estão nomeados, um a um, com link para a política de cada um, na seção 6 da Política de Privacidade. Não vendemos seus dados nem os expomos a outros usuários.
11.Contrato de tratamento de dados (DPA) e contato
Os compromissos do ORDIR como operador — tratamento sob instrução, confidencialidade, ZDR, vedação de uso secundário indevido — já valem como cláusula contratual na cláusula 6 dos Termos de Uso. Se o seu escritório precisa de um DPA assinado em separado, peça pelo e-mail abaixo que emitimos.
Dúvidas de segurança, privacidade ou due diligence: contato@ordir.com.br. Perguntas concretas recebem respostas concretas — foi essa a régua desta página.